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Bridging Dance and Health in Brazil V – Towards a Brazilian framework for dancers’ health and wellbeing

Posted By Clara Fischer Gam, Tuesday, May 17, 2016

Welcome to the last installation of the series about the opportunities and challenges of Dance and Health in Brazil! Since January, we have been delving into the Brazilian dance sector through the eyes of our local IADMS members. Along this post series, we have been exploring information accessibility issues and public policies impasses, meeting inspiring initiatives, and familiarizing with the dance career pathways in the country. Today, as we get to the end of a journey, another one begins: this time towards a Brazilian framework for dancers’ health and wellbeing.


 

 

“Dance sector’s problems are still of a very elementary level”, states IADMS member Dr. Adriano Bittar. As we investigated in the 4th installation, Brazilian dancers’ every-day challenges concern employability, low remuneration rates, and lack of recognition in the field. Besides regulations for professional careers, educational development and retirement planning in dance are still proceeding towards approval, mentioned in a previous post. “There are so many unmet needs that inquiry on dancers’ health was left out”, says Dr. Bittar.

 

 Over the years, we have been observing that there are changes taking place, however there is still a long way to go. “In Brazil, dancers are overexposed to health risks during their careers. There is a considerable disparity between the knowledge produced internationally in dancers’ health and the present scenario”, points out rheumatologist Dr. Izabela Gavioli, another IADMS member. Whilst discussions about dance and health are in an early stage, raising awareness of such topics could be in itself a strategy to empower the community, promote the sector, speed up the development of public policies and achieve professional recognition. At the moment, both the dance sector and the broader community are still in the process of understanding the potentials of the dance profession, questioning the nature of the occupation and the further application of dance.

 

Embedded in this context, there is an emerging movement for putting dance medicine and science into practice. Across the country, there are people taking action to bridge that gap. As we have previously explored in depth, there is a growing number of initiatives for dance and health in Brazil. Being part of this community of dancers, researchers and educators that are fostering an emerging field, my peers and I have all been individually working to understand: What does Dance Medicine and Science looks like from a Brazilian perspective? How does it apply to the Brazilian context? 

 

 

 

Since I founded “Dance Science Brasil”, a group on Facebook to connect IADMS members in Brazil, firstly located through IADMS members directory, and other professionals interested in this area of knowledge, a lively space has been opened up for change-makers and leaders of the field to communicate and take this shared inquiry forward.

 

In a few months, the opportunities for sharing and integration to occur will be expanded due to another initiative, proposed by IADMS members Dr. Adriano Bittar from Brazil and Dr. Matthew Wyon from the UK. The project will establish a collaboration network for dance medicine and science between Brazil and the UK, representing a giant leap for the field in my country. As this innovative partnership unfolds, members of IADMS from both nations are getting together in two research workshops to strengthen the bonds and facilitate exchange.  

 

Having arrived back in Brazil less than a year ago, it is very exciting to be in the source of an emerging field in this country. Specially, to have the opportunity to share it with you through this post series! It was a pleasure to bring to you an overview of the challenges and opportunities for dance and health down the Tropics, and with your help I really hope we can keep nourishing this field together!

 

The Brazilian members of IADMS are:

 

- Adriano J. Bittar Sr

- Aline N. Haas

- Bárbara P. Marques

- Clara Fischer Gam

- Claudia Daronch

- Daisy M. Machado

- Flora M. Pitta

- Izabela L. Gavioli

- Kaanda N. Gontijo

- Marcia Leite

- Mariana G. Bahlis

 

Join us on the Facebook group “Dance Science Brasil”!

 

Clara Fischer Gam, MS

“Dance Science Brasil” Group Admin

MSc Dance Science | BEd Dance Education | Pilates Instructor

Rio de Janeiro – Brazil

clara.figa@gmail.com

www.clarafischergam.com

www.gestoslivres.com

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Integrando Dança e Saúde no Brasil, Parte V:  por uma perspectiva brasileira para a saúde e bem-estar do bailarino

 

Bem-vindo à última postagem da série sobre as oportunidades e desafios de Dança e saúde no Brasil! Desde Janeiro de 2016, estamos investigando o setor da Dança no país, através da perspectiva dos nossos membros locais da IADMS. Ao longo desta série de postagens, viemos explorando questões relativas à acessibilidade de informação e políticas públicas, conhecendo iniciativas inspiradoras, e nos aproximando dos desafios da carreira de bailarino no Brasil. Hoje, ao passo que alcançamos o fim dessa jornada, uma outra se inicia: dessa vez em busca de uma perspectiva brasileira para a saúde e bem-estar do bailarino.

 

"As dificuldades do setor da Dança ainda são de um nível bastante elementar...", afirma o membro da IADMS Dr. Adriano Bittar. Como nós investigamos na  quarta postagem dessa série, os desafios diários dos bailarinos brasileiros incluem empregabilidade, baixa remuneração e falta de reconhecimento no campo. A regulamentação da carreira profissional, além de outras questões quanto ao desenvolvimento educacional e o planejamento da aposentadoria na Dança, ainda estão sendo discutidas ou em processo de aprovação legal, como mencionado em uma postagem anterior. "Há tantas necessidades não atendidas que a discussão sobre a saúde dos bailarinos foi deixado de fora.", diz o Dr. Bittar.    

 

Ao passar dos anos, têm ocorrido mudanças nesse sentido. No entanto, existe um longo caminho pela frente: "No Brasil, bailarinos estão sendo super expostos a riscos de saúde durante suas carreiras. Existe uma disparidade considerável entre o conhecimento produzido internacionalmente em saúde na Dança e o cenário atual no país.", destaca a Reumatologista Dra. Izabela Gavioli, outro membro da IADMS. Enquanto as discussões sobre Dança e saúde encontram-se em um estágio inicial, a conscientização de tais temas poderia ser em si mesma uma estratégia para empoderar a comunidade, promover o setor, acelerar o desenvolvimento de políticas públicas e alcançar o reconhecimento profissional. No momento, tanto no setor da Dança, como em outras camadas da sociedade brasileira, parece haver um interesse nas potencialidades da Dança, no sentido de explorar a natureza da profissão e sua possível aplicabilidade em outras áreas do conhecimento.  

 

Neste contexto, há um movimento crescente para levar a Medicina e Ciência da Dança para a prática. Em diferentes regiões do país, algumas pessoas têm trabalhado para dar conta dessa lacuna. Como já descrito em profundidade  em um texto anterior, um número crescente de iniciativas tem sido criada pela Dança e saúde no Brasil. Como parte dessa comunidade de bailarinos, pesquisadores e educadores que estão promovendo um campo emergente, eu e meus colegas temos trabalhado individualmente para entender: quais são as particularidades da Medicina e Ciência da Dança na perspectiva brasileira? como este campo de estudo aplica-se ao contexto deste país?

 

Desde que fundei o "Dance Science Brasil", um grupo no Facebook criado para conectar os membros brasileiros da IADMS  (localizados através do diretório dessa associação), além de outros profissionais interessados ​​e atuantes nessa área de conhecimento no país, surgiu um espaço dedicado à comunicação e partilha para facilitar que agentes e líderes do campo pudessem levar esses questionamentos compartilhados adiante.  

 

Muito em breve, as oportunidades para a integração do campo serão ampliadas devido a uma outra iniciativa, proposta por dois membros da IADMS: Dr. Adriano Bittar, do Brasil, e Dr. Matthew Wyon, do Reino Unido. O projeto pensado por eles vai estabelecer uma rede de colaboração para a Medicina e Ciência da Dança entre Brasil e Reino Unido, representando um salto gigante para esse campo de conhecimento no país. Ao passo que essa parceria inovadora desenvolve-se, membros da IADMS de ambas as nações irão reunir-e inicialmente  em dois workshops de pesquisa para fortalecer os vínculos e facilitar o intercâmbio.  

 

Tendo retornado ao Brasil menos de um ano atrás, posso afirmar que tem sido fascinante participar do desenvolvimento de um campo em ascenção neste país. E ainda mais especial foi ter tido a oportunidade de compartilhar algumas impressões com você através desta série de postagens! Foi realmente um prazer ter podido apresentar uma visão geral dos desafios e oportunidades de Dança e saúde nos trópicos, e com a sua ajuda eu espero que possamos continuar nutrindo este campo juntos!

 

- Junte-se a nós no Grupo “Dance Science Brasil”!

 

- São membros brasileiros da IADMS:

 

Adriano J. Bittar            

Aline N. Haas            

Bárbara P. Marques            

Clara Fischer Gam  

Cláudia Daronch         

Daisy M. Machado            

Flora M. Pitta            

Izabela L. Gavioli            

Kaanda N. Gontijo            

Marcia Leite            

Mariana G. Bahlis    

 

Clara Fischer Gam, Mestre Ciência da Dança

Licenciada em Dança

Administradora do grupo Dance Science Brasil

Co-fundadora do Corpos Aptos, Gestos Livres

Rio de Janeiro – Brazil

clara.figa@gmail.com

www.clarafischergam.com

 


Tags:  Brazil  translation 

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Bridging Dance and Health in Brazil IV – Dancing against the odds

Posted By Clara Fischer Gam, MS, Tuesday, April 19, 2016

This is the 4th installation of a series about the opportunities and challenges of Dance and Health in Brazil. Over the last few months we have been exploring together the potentialities of this emerging field – as experienced by our Brazilian IADMS members! As we start heading to the end of this post series, today, in the second-to-last installation, I will be sharing with you some perceptions and lived experiences of Brazilian IADMS members when it comes to building up a dance career in Brazil.


   

 

Considering our country’s particular context, the central question arises: What is exactly the greatest challenge of a dancer’s career in Brazil?

 

 

“To dance.” Simply states Dr. Adriano Bittar, a Brazilian IADMS member. “Just to get to the point of building up a career is fairly challenging in this country”, states Dr. Izabela Lucchese Gavioli, another IADMS member. As most of my Brazilian peers have agreed, it seems that the greatest challenge dancers face today is to find the most elementary conditions for nourishing their professional development.

 

Since the early years as a student there are high rates for education, maintenance of dance shoes or specific dancewear as well as additional costs for supplementary training, medical, and psychological care. Although it is widely known that proficiency can only be achieved by a certain cost, in the Brazilian context those are high-stakes investments. “There are not enough dance companies to accommodate the amount of professional dancers in the sector”, attests IADMS member Barbara Pessali-Marques. Consequently, “there are not many chances to experience auditioning, which is routine for young dancers around the globe”, as Dr. Gavioli explains. Auditions play an important role in the early artistic development because “dancers can learn to cope with the stresses involved in performing. It is also a chance to attain more self-knowledge”. Not being able to experience dance or find work in the field, it is no surprise that “a considerable amount of dancers will leave the country on the search of an opportunity to start a career in dance”, attests by Dr. Aline Haas, also part of the IADMS community. Among the dancers that go abroad for experiencing dance, a portion of them can afford the costs of living abroad whilst the other portion were able to attain financial support through dance competition results. For the dancers that build up their careers in Brazil, starting either by joining a dance company or by taking part in a particular dance project, it is very likely that remuneration will be low. For dancers that pursue individual initiatives such as founding their own companies or developing solo performances, the scenario remains the same; “frequently, dance projects will end up in financial loss”, affirms Barbara Pessali-Marques.

 

As we delve into the dancer’s situation in the Brazilian context, it becomes clear that the greatest challenges of a career in dance are way beyond the sphere of individual striving; they are part of a bigger picture. “I believe that the lack of support for arts and culture is the main challenge, as the dance occupation is unappreciated; it is a vicious cycle”, Barbara Pessali-Marques states. As we have mentioned back in the second installation of this series, the issues involving recognition of the dance professional are reinforced by the lack of national policies, legislation or regulation of the dance career. “Getting proper health care assistance, planning the season and the volume of classes and rehearsals is hard work when support and sponsorship are scarce”, states Dr. Gavioli, who speaks from the perspective of both a physician and a choreographer.

 

Taking these conditions into account, I wonder what would be the impact on dancers’ behavior towards health and well-being. Ultimately, how does that affect the relationship with their own bodies?

 

“Based on my own experience as a classical dancer, where self-competition is very present, I see that crossing our boundaries becomes part of the routine in such environment”, says Kaanda Gontijo, a physical therapist and IADMS member that is still dancing on stage, and “as a result, we see the high rates of injury in this population”. Worldwide, dancers are known for having the habit of dancing through injury. Still nowadays that seems to be part of dancers’ culture. As suggested by Flora Pitta, another IADMS member that shares the occupation of being a professional dancer and a physiotherapist, “I believe that this behavior is related to dancers’ fear of unemployment”.

 

Interestingly, at the same time that the culture of pain remains present these days, some members of the Brazilian IADMS community pointed out to a shift in dancers’ behavior towards health and wellbeing. Over the last few years they have been noticing that dancers are arriving to their clinic of practice, classroom or studio with a broader awareness of the physical dancer and engagement in listening to their body needs than before – a trend I observe to be common to the Global North countries. Brazilians have come to understand  that a higher number of the injured dancers that go through the rehabilitation process become hard wired for a deeper understanding of the injury pattern as well as for taking care of their own bodies.

 

 

Later in the career, the dancer’s body will eventually exceed its peak performance years. As we have formerly discussed in a previous post, many dancers will have to retire in what would be considered a young age, as often dance involves a short career on stage. Although their bodies are not as available as before, the creative capacity is still ascending. But what happens next?

 

“The lack of career transitioning programs tailored for dancers in Brazil results in dancers transitioning to different occupations, mostly unrelated to dance. I believe that the lack of appreciation for the dance occupation diminishes the chances of keeping this professional in his original field of knowledge after dancing years have passed”, states Dr. Bittar, “I can clearly see that these artists have a lot to contribute to the dance sector after retirement, assuming roles that are still to be explored”.

 

Being a dancer in Brazil seems to go against the odds; from the early ages of professional development, through dancing years to life after retirement, the challenges of building up a successful career are constant. When working for dancer’s health, it is important to consider that this process goes together with empowering the dance occupation. As an educator and researcher, I continuously ask myself,   “How can Dance Science contribute to the recognition of our dancers?”

 

 

The Brazilian members of IADMS are:

- Adriano J. Bittar Sr

- Aline N. Haas

- Bárbara P. Marques

- Clara Fischer Gam

- Claudia Daronch

- Daisy M. Machado

- Flora M. Pitta

- Izabela L. Gavioli

- Kaanda N. Gontijo

- Marcia Leite

- Mariana G. Bahlis

 

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MSc Dance Science | BEd Dance Education | Pilates Instructor

Rio de Janeiro – Brazil

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Integrando Dança e Saúde no Brasil, Parte IV: dançando contra a corrente

 

 

Esta é a quarta parte de uma série de postagens sobre as oportunidades e desafios da Dança e saúde no Brasil. Nos últimos meses, viemos explorando as potencialidades deste crescente campo, através da experiência dos membros brasileiros da IADMS! À medida que começamos a aproximarmo-nos do fim dessa série, hoje, na penúltima postagem, vou compartilhar com vocês algumas das nossas percepções e vivências sobre a carreira de bailarino no Brasil.

 

Considerando o contexto específico desse país, surge o questionamento: qual é exatamente o maior desafio da carreira em Dança no Brasil?

 

"Dançar." Afirma sucintamente Dr. Adriano Bittar, membro brasileiro da IADMS. "Só para se chegar ao ponto de iniciar a construção de uma carreira já é bastante desafiador nesse país", afirma Dra. Izabela Lucchese Gavioli, outro membro. Como a maioria dos meus colegas brasileiros concordam, parece que o grande desafio que o bailarino enfrenta atualmente é encontrar as condições mais elementares para nutrir seu desenvolvimento profissional.

 

Desde os primeiros anos estudando Dança, é necessário arcar com o custo alto de aulas técnicas, manutenção de sapatilhas ou trajes específicos do estilo, bem como despesas adicionais com a preparação física, atendimentos médicos ou psicoterapêuticos. Sem dúvida, sabe-se que a proficiência apenas pode ser alcançada a um certo preço - porém, no contexto brasileiro, esses são investimentos de risco. "Não há companhias de dança suficientes para acomodar a quantidade de bailarinos profissionais no setor.", atesta o membro da IADMS Bárbara Pessali-Marques. Consequentemente, "...poucas são as oportunidades de passar pela vivência da audição, que é rotina para jovens bailarinos de todo o mundo.", explica a Dra. Gavioli. As audições desempenham um papel fundamental nos primeiros anos do desenvolvimento artístico, pois nesse ambiente "...bailarinos aprendem a lidar com o estresse da performance. É também uma chance de alcançar maior auto-conhecimento.".

 

Por não conseguirem vivenciar a Dança, nem encontrar trabalho no campo, não é de se surpreender que "...uma quantidade considerável de bailarinos vai deixar o país em busca de uma oportunidade de iniciar a carreira em Dança", observa Dra. Aline Haas, também parte da comunidade IADMS no Brasil. Entre os bailarinos que vão para o exterior em busca de experiência em Dança, apenas uma parte deles pode arcar com os custos de viver no exterior, enquanto a outra porção é composta por vencedores de premiações competitivas, recebendo apoio financeiro para os estudos. Quanto aos bailarinos que seguem a carreira no Brasil em companhias de Dança, é muito provável que a remuneração será baixa. No caso dos bailarinos que apostam em iniciativas autorais, tais como a criação de suas próprias companhias ou o desenvolvimento de performances solo, o cenário permanece o mesmo; "Frequentemente, os projetos de Dança resultam em perdas financeiras.", afirma Bárbara Pessali-Marques.

 

Enquanto mergulhamos na situação do bailarino no contexto brasileiro, torna-se evidente que os maiores desafios de uma carreira na Dança estão muito além da esfera do esforço individual; eles são parte de um quadro geral: "Eu acredito que a falta de apoio para as artes e cultura é o principal desafio. Como resultado, a profissão em Dança é desvalorizada. No fim das contas, isso se torna um ciclo vicioso.", Bárbara Pessali-Marques afirma. Como já mencionado na segunda postagem dessa série, as questões em torno do reconhecimento do profissional Dança são reforçadas pela falta de políticas públicas, legislação ou regulamentação da carreira de bailarino: "Obter assistência de saúde adequada, planejamento da temporada e organização do volume de aulas e ensaios é um trabalho árduo num cenário onde há escassez de apoio e patrocínio.", afirma a Dra. Gavioli, que observa essa situação pelo olhar médico e também da coreógrafa, já que ocupa ambas funções.

 

Levando em conta essas condições, eu me pergunto como elas impactam o comportamento dos bailarinos quanto ao tema saúde e bem-estar. Em última análise, como isso afeta o relacionamento com seus próprios corpos?

 

"Com base na minha própria experiência como bailarina clássica, onde a auto-competição é muito presente, eu vejo que ultrapassar nossos limites torna-se parte da rotina nesse ambiente.", diz Kaanda Gontijo, fisioterapeuta e membro da IADMS, que continua dançando na palco. Completa Kaanda: "Sabemos que como resultado, vemos elevadas taxas de lesões nessa população.". Mundialmente, bailarinos são conhecidos por terem o hábito de desconsiderar suas lesões. Ainda hoje, isso parece ser parte da cultura da Dança. Como sugerido por Flora Pitta, outro membro da IADMS, que divide seu tempo entre a profissão de bailarina e fisioterapeuta, "Eu acredito que esse comportamento está relacionado com o medo permanente que os bailarinos cultivam do desemprego.".

 

Curiosamente, ao mesmo tempo que a cultura da dor continua presente nos dias de hoje, alguns membros da comunidade brasileira da IADMS apontam para uma mudança no comportamento dos bailarinos em relação à saúde e bem-estar. Ao longo dos últimos anos, eles têm percebido que os bailarinos estão chegando nos consultórios, salas de aula ou estúdios com uma consciência mais ampla das demandas físicas da profissão e maior interesse em perceber as necessidades do corpo - uma tendência que observamos ser comum aos países da Europa e Estados Unidos. Nossos membros têm identificado que muitos bailarinos lesionados, que passam pelo processo de reabilitação, tornam-se mais atentos a uma escuta profunda do padrão das lesões recorrentes, bem como mais cuidadosos com seus próprios corpos.

 

Em algum momento mais adiante na carreira de bailarino, o corpo irá ter que encarar, e ultrapassar, os seus anos de alto desempenho no palco. Como já anteriormente discutido em outra postagem, muitos bailarinos terão de aposentar-se em uma idade jovem, já que na maioria dos casos a carreira de performer tem curta duração. Embora seus corpos não estejam mais tão disponíveis como antes, a capacidade criativa ainda é ascendente. Mas o que acontece a seguir?

 

"Como no Brasil não existem programas de transição de carreira adaptados para bailarinos, muitos não têm opção, se não buscar diferentes ocupações, em geral não relacionadas com a Dança. Eu acredito que a falta de reconhecimento do setor da Dança diminui as chances de manter esse profissional em seu campo original de conhecimento, depois que os anos de palco terminam.", afirma o Dr. Bittar. Completa, ainda: "Na minha opinião, é bastante claro que esses artistas têm muito a contribuir para o setor da Dança após a aposentadoria, assumindo papéis que ainda precisam ser explorados."

 

Parece que ser bailarino no Brasil é ter que nadar sempre contra a corrente. Desde os primeiros anos de desenvolvimento profissional, passando pelos tempos no palco, até o período após a aposentadoria, os desafios da construção de uma carreira de sucesso são constantes. Enquanto promovemos a saúde do bailarino, é importante considerar que esse trabalho precisa caminhar junto com o empoderamento da profissão Dança. Como educadora e pesquisadora, eu me pergunto continuamente: como a Ciência da Dança pode contribuir para o reconhecimento de nossos bailarinos?

 

Fique ligado, em breve estará no ar a última edição do “Integrando Dança e Saúde no Brasil”! 

 

- Junte-se a nós no Grupo “Dance Science Brasil”!

 

- São membros brasileiros da IADMS:

 

Adriano J. Bittar           

Aline N. Haas            

Bárbara P. Marques            

Clara Fischer Gam  

Cláudia Daronch         

Daisy M. Machado            

Flora M. Pitta            

Izabela L. Gavioli            

Kaanda N. Gontijo            

Marcia Leite            

Mariana G. Bahlis    

 

Clara Fischer Gam, Mestre Ciência da Dança

Licenciada em Dança

Administradora do grupo Dance Science Brasil

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Bridging Dance and Health in Brazil III: Taking Action

Posted By Clara Fischer Gam, Tuesday, March 22, 2016

This is the 3rd installation of a series about the opportunities and challenges of Dance and Health in Brazil – through the eyes of the Brazilian IADMS members’ community! In a previous post, we discussed the current scenario for public policies and access to information in the field. Today, I will be taking you on a journey across the country to the projects that are taking action to bridge that gap.


 

 

Whilst information accessibility on dance and health to a broader audience is still a big issue in Brazil, there is an emerging movement for putting dance medicine and science into practice. I am part of a growing community of dancers, physicians, physical therapists and dance scientists deeply passionate about dance and faithfully committed to dancer’s wellbeing. We have been in service of dance either working one-on-one in private practice or applying our individual projects to larger groups.

 

As we have discussed in the 1st installment of this series, there seems to be a gap between science and the clinic. At the same time, recognition of dancer’s health demands within the dance sector is still an issue in Brazil. Therefore, it is possible to assume that finding dance medicine and science professionals working in dance companies and schools is not easy. It is indeed fairly rare to see health services being offered for dancers in these settings. Despite the obstacles along the way, there have been a few initiatives being put forward - some of those developed by IADMS members from different parts of Brazil aiming to bring dance and health together.

 

IADMS member Dr. Izabela Lucchese Gavioli wears multiple hats during the day: she is a physician, choreographer and dance professor at UFRGS, South Brazil. Having over 20 years of experience in the doctor’s practice, Dr. Gavioli firstly specialized in rheumatology and sports medicine for the aims of contributing to dancer’s health. She states, “A dancer myself, I was interested in understanding the dancer’s body from a clinical perspective”. Nowadays, most of her patients are dancers and dance teachers.

 

Kaanda Gontijo, another IADMS member in South Brazil, has been working on injury prevention and treatment for dancers in the clinic, the studio and the lab. Currently, she is taking the guide developed during her PhD to the Bolshoi School in Brazil as well as to some ballet dancers from the Miami City Ballet in Florida, USA. “This approach to injury prevention is deeply associated to technique enhancement, considering dancer’s individual body posture and psychological behaviour”, she explains, “My aim is to raise awareness of the ballet dancer as well as to increase longevity without diminishing technique”.

 

 

 

In the city of São Paulo, Flora Pitta – also an IADMS member, dancer, and physical therapist – firstly decided to study the dancer’s body after she was diagnosed with Psoas Syndrome, going through several surgeries and later rehabilitating with physical therapy. Nowadays, she works one-on-one with dancers at the clinic by applying her own method for injury treatment and prevention. Being a belly dance teacher, she teaches courses and workshops to this audience targeting topics on injury and performance.

 

A relevant project that took place in Quasar Dance Company, Midwest Brazil, is worth mentioning. Originally developed in 2000 by IADMS members Dr. Adriano Bittar and Professor Claudia Daronch, the Equilibrartes project’s goal was to reduce injury occurrence in the company by applying a pre-season conditioning program. The program entailed manual therapy treatment for injured dancers as well as strength, cardiorespiratory fitness and Pilates for the company. “We could also promote meetings with the staff for organizing technical preparation and discussing the daily classes program”, says Dr. Bittar. “Back at that time, I was both dance technique teacher and rehearsal director of the company, therefore it was easy to align the technical preparation to the demands of choreography”, Professor Daronch states. Throughout the project duration there was a 60% decrease in injury rates in the company.

 

Recently, the first studio specialized in dance conditioning was founded in the country. Directed by one of IADMS members, PhD student Barbara Pessali-Marques, the Bastidores Centre promotes fitness and rehabilitation for dancers in South East Brazil. Holding a multidisciplinary team of physiotherapists, physical educators and nutritionists with specific knowledge of dancer’s health, the studio also offers courses for dance teachers and conducts clinical studies on the topic.

 

Having experienced the potentialities and opportunities of Dance and Health in the UK, I returned to Brazil to find a fascinating atmosphere of rising possibilities in the field. Earning a Master in Dance Science from Trinity Laban, I co-founded the project “Fit Body, Arising Movement” (“Corpos Aptos, Gestos Livres” in Portuguese). Deeply rooted in this area of knowledge, it has the aim to promote dancer’s health and wellbeing through courses and workshops tailored to parts of the dance sector. Supplementary training programmes for dancers are the cornerstone of the project, which are developed in partnership with a physical therapist and physical educator, a somatics practitioner and a dance professor. By considering the physiological demands of dance, we work to enhance performance and prevent injuries in this population.

 

 

 

It is surely thrilling to see some of the work that is being put forward at this moment in Brazil. By taking action, we are all building the blocks to support the field.

 

Watch out for the next installment of Bridging Dance and Health in Brazil!

The Brazilian members of IADMS are:

 

- Adriano J. Bittar Sr

- Aline N. Haas

- Bárbara P. Marques

- Clara Fischer Gam

- Claudia Daronch

- Daisy M. Machado

- Flora M. Pitta

- Izabela L. Gavioli

- Kaanda N. Gontijo

- Marcia Leite

- Mariana G. Bahlis

 

Join us on our Facebook group “Dance Science Brasil”!

 

 

Clara Fischer Gam, MS

MSc Dance Science | BEd Dance | Pilates Instructor

Rio de Janeiro – Brazil

clara.figa@gmail.com

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Integrando Dança e Saúde no Brasil, Parte III: entrando em ação

 

Esta é a terceira parte de uma série de postagens sobre as oportunidades e desafios da Dança e Saúde no Brasil - escrita a partir dos depoimentos da comunidade brasileira de membros da IADMS! Em uma postagem anterior, nós discutimos o cenário atual de políticas públicas e de acesso à informação no campo. Hoje, vamos embarcar numa viagem pelo país para conhecer alguns projetos que contribuem para preencher a lacuna existente entre Dança e saúde.

 

Embora o acesso à informação sobre Dança e saúde para um público mais amplo seja ainda uma grande questão no Brasil, vem surgindo um movimento para colocar a Medicina e Ciência da Dança em prática. Eu sou parte de uma comunidade crescente de bailarinos, médicos, fisioterapeutas e cientistas da dança, profundamente apaixonada por essa arte e também comprometida com o bem-estar do dançarino. Temos estado à serviço da dança de diferentes maneiras, oferecendo atendimentos individuais aos bailarinos, ou desenvolvendo projetos para grupos maiores.

 

Como já discutimos no primeiro artigo dessa série, parece haver uma lacuna entre a ciência e a clínica. Ao mesmo tempo, dentro do setor da Dança no país existe pouco reconhecimento quanto às demandas de saúde do bailarino. Portanto, é possível presumir que poucos são os profissionais da Ciência da Dança que atuam em companhias e escolas de dança. De fato, é bastante raro encontrar serviços de saúde sendo oferecidos para bailarinos nesses ambientes. Apesar dos obstáculos ao longo do caminho, algumas iniciativas têm sido desenvolvidas com o objetivo de unir Dança e saúde – muitas delas criadas por membros da IADMS de diferentes partes do Brasil.

 

Dra. Izabela Lucchese Gavioli, membro da IADMS, cumpre diferentes papéis no seu dia-a-dia: ela é médica, coreógrafa e professora de Dança na UFRGS, em Porto Alegre. Tendo mais de 20 anos de experiência clínica, Dra. Gavioli conta que decidiu seguir a especialização em Reumatologia e Medicina Esportiva pela vontade de contribuir para a saúde do bailarino. Ela afirma: "Como sempre dancei, tinha muito interesse em entender o corpo do bailarino da perspectiva médica". Atualmente, a maioria de seus pacientes são bailarinos e professores de Dança.

 

Kaanda Gontijo, outro membro da IADMS no Sul do Brasil, tem atuado pela prevenção e tratamento de lesões em bailarinos na clínica, no estúdio e no laboratório. Hoje, ela aplica o trabalho desenvolvido em seu doutorado na Escola Bolshoi no Brasil, bem como em alguns bailarinos do Miami City Ballet, na Flórida, EUA. Ela diz: "Essa abordagem para a prevenção de lesões está profundamente associada ao aprimoramento técnico, considerando a postura corporal individual do bailarino e aspectos psico-comportamentais.". "O meu objetivo...", explica Kaanda, "...é despertar a consciência do bailarino clássico para as necessidades de seu corpo, aumentando a longevidade artística sem detrimentos técnicos".

 

Na cidade de São Paulo, Flora Pitta - também membro da IADMS, bailarina e fisioterapeuta - decidiu estudar o corpo do bailarino depois de ter sido diagnosticada com Síndrome do Ressalto do Iliopsoas, tendo sido submetida a várias cirurgias e mais tarde à reabilitação com Fisioterapia. Hoje em dia, ela atende bailarinos em seu consultório, aplicando o método que desenvolveu para o tratamento e prevenção de lesões. Sendo também professora de dança do ventre, ela ministra cursos e workshops para este público, explorando tópicos sobre lesões.

 

Há algum tempo surgiu um projeto na Quasar Companhia de Dança, em Goiânia, que vale mencionar. Originalmente desenvolvido em 2000 pelos membros da IADMS Dr. Adriano Bittar, fisioterapeuta e bailarino, e Professora de Dança Cláudia Daronch, o objetivo do projeto Equilibrartes era reduzir a ocorrência de lesão na companhia através da aplicação de um programa de condicionamento anual. O programa envolveu serviços de tratamento com Terapia Craniossacral para bailarinos lesionados, bem como um trabalho de condicionamento que incluia o método Pilates, a musculação e o trabalho aeróbio para toda a companhia: "Tivemos a oportunidade de participar de reuniões junto a membros da equipe para organização da preparação técnica e discussão do programa de aulas diárias da companhia", diz o Dr. Bittar. "Naquela época, eu também ocupava o cargo de professora de técnica de dança e ensaiadora da companhia. Portanto, foi fácil alinhar a preparação técnica às exigências da coreografia", afirma a professora Daronch. Durante o período do projeto, houve uma diminuição de 60% na incidência de lesões na companhia.

 

Recentemente, o primeiro estúdio especializado em treinamento para bailarinos foi fundado no país. Dirigido por um dos membros IADMS, a doutoranda Bárbara Pessali-Marques, o Bastidores Centro de Treinamento promove condicionamento e reabilitação para bailarinos em Belo Horizonte. Abrigando uma equipe multidisciplinar de fisioterapeutas, educadores físicos e nutricionistas com conhecimento da saúde do bailarino, o estúdio também oferece cursos para professores de Dança e realiza estudos clínicos sobre o tema.

 

Tendo experienciado as potencialidades e oportunidades de Dança e saúde no Reino Unido, encontrei, ao chegar no Brasil, uma atmosfera fascinante de crescentes possibilidades no campo. Adquirindo o título de Mestre em Ciência da Dança pelo Conservatório Trinity Laban, eu co-fundei o projeto “Corpos Aptos, Gestos Livres”, atualmente baseado no Rio de Janeiro. Profundamente enraizado nesta área de conhecimento, a inicitiava tem o objetivo de promover a saúde e bem-estar do bailarino ao criar acessibilidade à informação para o setor da Dança através de cursos, consultorias e workshops. Um dos pilares desse projeto é o programa de cursos de preparação física para Dança, desenvolvido em parceria com um especialista em cinesiologia e educação somática e que conta com a contribuição de um fisioterapeuta, um educador físico e um professor de Dança. Ao considerar as demandas fisiológicas da Dança e as necessidades do corpo do bailarino, trabalhamos para aprimorar a performance e prevenir lesões nesta população.

 

É, sem dúvida, entusiasmante observar um pouco do trabalho que está sendo desenvolvido nesse momento no Brasil. Ao nos colocarmos em ação, estamos juntos construindo as estruturas para sustentar o campo.

 

Fique ligado, em breve estará no ar a próxima edição do “Integrando Dança e Saúde no Brasil”! 

 

- Junte-se a nós no Grupo “Dance Science Brasil”!

 

- São membros brasileiros da IADMS:

 

Adriano J. Bittar            

Aline N. Haas            

Bárbara P. Marques            

Clara Fischer Gam  

Cláudia Daronch         

Daisy M. Machado            

Flora M. Pitta            

Izabela L. Gavioli            

Kaanda N. Gontijo            

Marcia Leite            

Mariana G. Bahlis    

 

 

 

Clara Fischer Gam, Mestre Ciência da Dança

Licenciada em Dança

Administradora do grupo Dance Science Brasil

Co-fundadora do Corpos Aptos, Gestos Livres

Rio de Janeiro – Brazil

clara.figa@gmail.com

www.clarafischergam.com


Tags:  Brazil  translation 

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Bridging Dance and Health in Brazil, Part I: The early steps of an emerging field

Posted By Clara Fischer Gam, Tuesday, January 26, 2016

In 2016, all eyes are on Brazil - country that will be hosting the Olympic Games this year. Inspired by this vibrant atmosphere, today we start a post series about the opportunities and challenges of Dance and Health in Brazil – from our members’ perspective!

 


A Brazilian myself, I’ve recently returned to my country after a year and a half in Britain. Having experienced a bit of Dance Science at Trinity Laban and engaged with its community, I arrived back aiming to sense the field in Brazil and readily get involved.

 

If Dance Medicine and Science is in its early stages above the Tropics, it is no surprise that Brazilians are still forging the field. There are about a dozen IADMS members in Brazil. Among us there are Dancers, Researchers, Dance Teachers, Physicians, Physical Educators and Physical Therapists spread across the country.

 

Although there is interesting work being published, not much research has been undertaken in the realms of Dance Medicine and Science in this land. “Looking for references in Dance, I found that less than 5% of the studies listed were related to Dance Medicine”, says our member Dr. Izabela Lucchese Gavioli, rheumatologist, Dance professor at UFRGS and sports medicine specialist in South Brazil.

 

“Unfortunately, there is a lack of research in injury prevention and performance enhancement”, states another Brazilian member Barbara Pessali Marques, physical educator and founder of the Bastidores Centre for Dance Conditioning, located South East Brazil. Like me, Barbara felt the need to leave the country for expanding her knowledge of the field. Now, she is developing a doctoral research at Manchester Metropolitan University and looks forward to bring fresh learning home. 

 

Feeding a field of knowledge in its infancy, we face many challenges for achieving legitimacy and acceptance. “At the universities, in the dance departments, the same debate persists as to whether dance should be part of the PT or PE departments”, states IADMS member Adriano Bittar, physiotherapist for Quasar Cia de Dança and Dance professor at UEG, Midwest Brazil. “There is no doubt that Dance should have an autonomous department, and remain a field in itself. But I feel that these out-of-date conflicts end up diminishing interaction with other fields and mainly suppressing important discussions such as dancer’s health”. Resistance can also be found in other parts of the dance sector, Dr Gavioli suggests that “It’s a matter of conflicting ideologies; people tend to think about dance science as rough and hard, which pejoratively labels knowledge that can be extremely useful to the dance professional”. 

 

We all know that issues of this kind resonate with Dance Medicine and Science worldwide, however in a country where most Dance programmes date from very recently, the circumstances could slow down the process for inquiry and communication to unfold within the sector. Paradoxically, it seems that the increasing number of courses being founded in the last few years opened up the space for discussing renovations in the traditional curriculum. Would there be a chance for implementing more up to date health modules in the programme? “The dancer is to some extend already a movement specialist, so by implementing dance medicine and science disciplines, their capacity to act upon their health and take ownership of their bodies would be expanded”, defends Dr. Bittar. Although there are changes taking place, at the moment health-related disciplines still encompass only a minor portion of the whole course. “Nationwide, programmes do not hold more than 5 credits dedicated to these subjects” affirms Dr. Aline Haas, an IADMS’ member who is Programme Leader of the BEd Dance at UFRGS, South Brazil.

                                                                                           

Taking a look at the overall picture, these members seem to agree that it is our task to nourish the field in order for it to thrive. If today in Brazil the intersection of dance and health is unsettled, I wonder how they could walk together, side by side. This inquiry motivated me to connect IADMS members in Brazil and to open up a space for integration and sharing to occur. After contacting them through the IADMS directory, we agreed to create a Facebook group to expand the possibilities of interaction. At the moment, we are about 30 people in the “Dance Science Brasil” group, connected through this network. 

 


In a country as big as Brazil, this initiative enabled me to gather information about some of the projects, aspirations and perspectives of the sector across the land through the eyes of our fellow IADMS members – which will be brought to you over this post series.

 

Despite the challenges involved in fostering an emerging field, it is very exciting to be at the source of future possibility – and have the chance to take part in it!

 

Watch out for the next instalment of Bridging Dance and Health in Brazil!

 

-          The Brazilian members of IADMS are:

            Adriano J. Bittar Sr

            Aline N. Haas

            Bárbara P. Marques

            Clara Fischer Gam

            Daisy M. Machado

            Flora M. Pitta

            Izabela L. Gavioli

            Kaanda N. Gontijo

            Marcia Leite

            Mariana G. Bahlis

 

 

Clara Fischer Gam, MS

MSc Dance Science

BEd Dance

Pilates Instructor

Rio de Janeiro – Brazil
clara.figa@gmail.com

www.clarafischergam.com

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Integrando Dança e Saúde no Brasil, Parte I: primeiros passos de um campo em ascensão

 

Em 2016, os olhos do mundo voltam-se para o Brasil - país que vai acolher os Jogos Olímpicos neste ano. Inspirados por essa atmosfera vibrante, hoje começamos uma série de postagens sobre as oportunidades e desafios da Dança e Saúde no Brasil – considerando os pontos de vista dos nossos membros brasileiros!

 

Eu também sou brasileira e recentemente retornei ao país, após um período de um ano e meio vivendo no Reino Unido. Por lá, pude experienciar a Ciência da Dança enquanto cursava meu mestrado na faculdade Trinity Laban Conservatoire, onde tive a chance de conectar-me à esta comunidade. Cheguei de volta com a intenção clara de compreender o campo no Brasil e a vontade pulsante de contribuir. 

 

Se a Medicina e Ciência da Dança está em seus estágios iniciais acima dos trópicos, não é de se surpreender que por aqui os brasileiros ainda estão construindo o campo. No país, temos cerca de uma dúzia de membros do IADMS. Fazem parte desse grupo bailarinos, pesquisadores, professores de dança, médicos, educadores físicos e fisioterapeutas espalhados por todo o país. 

 

Embora trabalhos muito interessantes venham sendo publicados ao longo dos anos, a quantidade de pesquisas desenvolvidas na área da Medicina e Ciência da Dança ainda é reduzida nessas terras: "Buscando por referências dentro do tema ‘Dança’, contabilizei que menos de 5% dos estudos encontrados se relacionavam com a Medicina da Dança", comenta Dr. Izabela Lucchese Gavioli, membro do IADMS, baseada em Porto Alegre, reumatologista, coreógrafa, professora de Dança na UFRGS e especialista em medicina esportiva. 

 

"Infelizmente, existem poucas pesquisas sobre prevenção de lesões e aprimoramento da performance", afirma outro membro brasileiro, Bárbara Pessali Marques, bailarina e educadora física, fundadora do ‘Bastidores Centro de Treinamento’ especializado em cuidar de bailarinos, na cidade de Belo Horizonte. Como eu, Bárbara sentiu a necessidade de sair do país para expandir seu conhecimento do campo. Nesse momento, ela está desenvolvendo a pesquisa de doutorado na Manchester Metropolitan University e espera em breve trazer de volta para casa todo o aprendizado adquirido com a experiência no Reino Unido. 

 

Por estarmos criando um campo ainda em seus primórdios, enfrentamos muitos desafios para alcançar legitimidade e aceitação: "Dentro dos departamentos de Dança das universidades, o mesmo debate persiste quanto a se a Dança deveria ser acoplada a outros departamentos, como Fisioterapia ou Educação Física", afirma nosso membro do IADMS Adriano Bittar, bailarino, fisioterapeuta na Quasar Cia de Dança e professor na UEG, em Goiânia. "Não há dúvida de que a Dança deve ter um departamento autônomo, e continuar a ser um campo em si mesmo. Mas eu sinto que estes conflitos antiquados acabam diminuindo a interação com outras áreas e, principalmente, suprimindo discussões importantes como a saúde do bailarino". Também é possível encontrar resistência em outras partes do setor de Dança, Dra. Gavioli sugere: "É uma questão de ideologias conflitantes; as pessoas tendem a pensar sobre a Ciência da Dança como áspera e dura, o que rotula pejorativamente um conhecimento que pode ser extremamente útil para o profissional de Dança". 

 

Sabemos que questões deste tipo circundam a Ciência e Medicina da Dança no mundo todo. No entanto, em um país onde a maioria dos programas acadêmicos de Dança datam de pouco tempo, as circunstâncias poderiam retardar o processo de investigação e o desenvolvimento da comunicação dentro do setor. Paradoxalmente, o número crescente de cursos universitários sendo criados nos últimos anos parece estar abrindo espaço para a discussão sobre reformas no currículo tradicional. Sendo assim, será que haveria oportunidade para a implementação de módulos mais atualizados sobre saúde do bailarino nos programas? "De certa maneira o bailarino já é um especialista do movimento. Portanto, com a implementação de disciplinas de Ciência e Medicina da Dança, a sua capacidade de agir pela sua saúde e se apropriar de seu corpo seria ampliada", defende Dr. Bittar. Apesar do progresso quanto a essas mudanças estruturais,  o número de disciplinas relacionadas à saúde ainda compõe uma pequena parte do currículo: "Em nível nacional, os programas não contém mais de cinco créditos dedicados a estes assuntos", afirma Dr. Aline Haas, gaúcha, membro do IADMS e professora de Dança na UFRGS. 

 

Observando o quadro geral, esses membros parecem concordar que temos a tarefa de nutrir o campo para que este possa prosperar. Se hoje no Brasil a intersecção entre Dança e Saúde é instável, eu me pergunto como elas poderiam caminhar juntas, lado a lado. Essa pergunta motivou-me a conectar os membros da IADMS no Brasil e abrir um espaço para a integração e troca ocorrer. Após entar em contato com eles através do diretório da IADMS, sugeri a criação de um grupo no Facebook para expandir as possibilidades de interação. No momento, somos cerca de 90 pessoas no grupo "Dance Science Brasil", conectados através dessa rede.

 

Em um país tão grande como o Brasil, essa iniciativa possibilitou a mim reunir informações sobre alguns dos projetos, aspirações e perspectivas do setor ao longo do território, através dos olhos de nossos membros da IADMS - que serão apresentados aqui para você nessa série de postagens.  Apesar dos desafios envolvidos na promoção de um campo emergente, é muito emocionante ver à frente o surgimento de múltiplas possibilidades - e ter a oportunidade de fazer parte desse processo! 

 

Fique ligado, em breve estará no ar a próxima edição do “Integrando Dança e Saúde no Brasil”! 

 

- Junte-se a nós no Grupo “Dance Science Brasil”!

 

 

- São membros brasileiros do IADMS:

Adriano J. Bittar

Aline N. Haas           

Bárbara P. Marques           

Clara Fischer Gam 

Cláudia Daronch        

Daisy M. Machado           

Flora M. Pitta           

Izabela L. Gavioli            

Kaanda N. Gontijo           

Marcia Leite           

Mariana G. Bahlis   

 

Clara Fischer Gam, Mestre Ciência da Dança

Licenciada em Dança

Administradora do grupo Dance Science Brasil

Co-fundadora do Corpos Aptos, Gestos Livres

Rio de Janeiro – Brazil


 

Tags:  Brazil  education in motion  research  teachers  translation 

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